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"Lovable, Bolt, Replit, v0: pra que serve cada uma"

Não é ranking. É um mapa de para-que-serve, com preço oficial conferido esta semana — porque a escolha errada não custa dinheiro, custa semanas.

"Estamos a mais de 2 semanas tentando fazer um SaaS usando IA."

"Agora estamos correndo de lá para cá procurando um programador."

Gente que não programa, num fórum brasileiro, contando a mesma história em duas frases. Entre elas há uma escolha de ferramenta que ninguém explicou — e a escolha errada não custa a assinatura. Custa as duas semanas.

Este post não é um ranking. Ranking te diz "qual é a melhor", que é a pergunta errada. A certa é pra que serve cada uma, e a resposta muda conforme o que você vai colocar dentro. Preços e recursos foram conferidos na documentação oficial em 15 de setembro de 2026; vão mudar, e este post vai ser revisado.

Antes dos nomes: são duas famílias, não sete ferramentas

O erro de origem é comparar tudo como se fosse a mesma categoria de produto. São duas famílias, pra pedidos diferentes:

Prompt-to-app — Lovable, Bolt, Replit, Base44, v0. O pedido é "faça isso por mim". Você descreve, ela constrói, hospeda, cuida do banco e do login. Você não vê o código se não quiser. É onde a maioria deveria começar.

Agente no repositório (repo-agent) — Cursor, Claude Code. O pedido é "trabalhe nesta base de código por mim". Você já tem um projeto num repositório (o lugar onde o código fica guardado com histórico). O agente edita, testa, explica. Não hospeda nada e não tem botão de publicar.

A segunda família pressupõe uma base de código sua. É a fase dois de quem começou na primeira e quis ser dono do que construiu. Comparar Lovable com Claude Code é comparar a construtora com o engenheiro que você chama depois de receber as chaves.

Prompt-to-app: cada uma, pra que serve

Uma ressalva que vale pro post inteiro. "Onde concentra reclamação" é o que eu vi nos fóruns e comunidades que li em 2025 e 2026. Comunidade maior gera mais reclamação pública, e isso não quer dizer taxa de defeito maior. Não existe medição comparável entre plataformas; quem te vender uma está chutando.

Lovable — a tela forte e rápida

Serve pra: ir de descrição a app com cara de produto em minutos. A tela é o ponto forte, e o banco e o login vêm prontos por baixo, via Supabase.

Onde concentra reclamação: o que está por trás da tela — regra de acesso entre usuários, mudança que quebra outra, e créditos que também pagam a hospedagem, o que já expliquei aqui. O padrão dos relatos: "está lindo, mas posso confiar?"

Preço oficial: gratuito com 5 créditos por dia (até 30 por mês), publicando no endereço da plataforma; Pro a partir de US$ 25 com 100 créditos; Business a partir de US$ 50. Domínio próprio e edição do código só a partir do Pro.

Bolt — a entrada simples

Serve pra: começar sem cerimônia. Projeto completo (tela e servidor), banco via Supabase ou o do próprio Bolt.

Onde concentra reclamação: consumo de tokens (a unidade que ele cobra; a documentação avisa que projeto grande custa mais por mensagem), loop em login, e um detalhe que a documentação escreve com todas as letras: "restaurar uma versão anterior do projeto não altera o seu banco de dados Bolt ou Supabase". Voltar o código não volta os dados.

Preço oficial: gratuito com 300 mil tokens por dia e 1 milhão por mês; Pro US$ 25 a partir de 10 milhões de tokens por mês, com sobra acumulando pro mês seguinte; Lite US$ 9 com modelos de código aberto.

Replit — o tudo-em-um

Serve pra: quem quer um lugar só: agente, código, banco e publicação na mesma tela.

Onde concentra reclamação: custo imprevisível. É onde os relatos de gasto são mais intensos — "US$ 25 em menos de 15 minutos", cerca de US$ 700 num mês "a maior parte consertando o que o próprio agente quebrou". São relatos de pessoas, não média. Mas o modelo de cobrança explica a forma deles: o agente cobra por checkpoint, "baseado no esforço" de cada pedido, e você só sabe quanto depois. A mesma documentação diz que ele "pede confirmação antes de uma ação paga começar" e que dá pra definir "limites rígidos para evitar cobranças inesperadas". Configure antes do primeiro pedido.

Preço oficial: Core US$ 20 por mês (US$ 18 no anual) com US$ 20 de crédito incluídos; Pro US$ 100 com US$ 100. O que passar do crédito é cobrado por uso.

Base44 — o mais abstraído

Serve pra: quem não quer ver o servidor nunca. Banco, login e funções vêm gerenciados; você vê o app e o resultado.

Onde concentra reclamação: exatamente isso — "o que está acontecendo por baixo?". Em 2026 ela ganhou um comando de saída (eject), que copia o código pra um projeto seu. Leia a letra pequena da documentação: "o projeto ejetado tem um banco de dados vazio. Os esquemas das suas entidades são copiados, mas não os seus dados." A porta de saída existe; os dados não passam por ela sozinhos. E, desde 6 de fevereiro de 2026, app privado é recurso pago — no gratuito, nasce público.

Preço oficial: gratuito com 25 mensagens por mês e até 5 apps; Starter US$ 16 por mês no anual (US$ 19,20 no mensal) com 100 mensagens; Builder US$ 40/48; Pro US$ 80/96; Elite US$ 160/192.

v0 — o visual primeiro

Serve pra: tela. É da Vercel, a empresa de hospedagem, e produz interface muito bem; banco, login e cobrança vêm depois, e menos prontos que nas outras.

Onde concentra reclamação: o salto do "tenho a tela" pro "tenho um app" — "ou só a parte que parece app?"

Preço oficial: gratuito com US$ 5 de crédito por mês; Plus US$ 30 por usuário com US$ 30 de crédito; Business US$ 100. Cobra por token, com preço diferente por modelo. O plano Premium de US$ 20 está sendo descontinuado e não aceita gente nova.

Agente no repositório: a fase dois

Cursor é um editor de código com o agente dentro. Gratuito (Hobby) com uso limitado; Pro US$ 20; Pro+ US$ 60; Ultra US$ 200. Claude Code roda no terminal ou no editor, e vem incluído no plano Pro do Claude, US$ 20 por mês, e no Max, a partir de US$ 100.

Os dois servem pro mesmo momento: o código já é seu, e você quer que alguém edite sem quebrar o resto e mostre o que mudou. A reclamação típica é mais adulta: "como sei o que o agente mudou?" — o assunto do N do ciclo. Sem uma base de código sua, nenhum dos dois é o próximo passo: eles não fazem o começo, fazem o meio.

E tudo acima está em dólar. A conta de cabeça: dólar da tabela × 5,5. Os US$ 25 do Lovable Pro são uns R$ 137 na fatura.

O critério que importa não é a ferramenta

A parte que nenhuma tabela diz, e que decide as duas semanas. Antes de escolher, responda três perguntas sobre o que você vai construir:

  1. Vai ter login? Mais de uma pessoa, cada uma vendo o que é seu?
  2. Vai guardar dado de cliente? Nome, telefone, CPF, pedido, qualquer coisa que não seja sua?
  3. Vai cobrar? Pix, cartão, assinatura?

Se as três respostas forem não — uma calculadora, um gerador de proposta, uma ferramenta só sua — qualquer prompt-to-app serve, e a diferença é gosto. Escolha a que pareceu mais fácil no primeiro dia e não pense mais nisso.

Se qualquer uma for sim, apareceu a fronteira entre a tela e o servidor, e a ferramenta não muda isso. Quem pode ver o quê se decide no servidor. O dado do cliente precisa de dono, backup e regra de acesso. A cobrança precisa aguentar o aviso que chega duas vezes. Nenhuma das cinco faz isso sozinha, e nenhuma te impede de fazer. A partir daqui, a ferramenta importa menos que o método. Dá pra construir seguro no Bolt e inseguro no Lovable; o que decide é se você pediu, conferiu e testou com dois usuários.

Uma frase de fórum brasileiro resume a ilusão que este critério desmonta:

"Uma pessoa não técnica não pode simplesmente gastar mais tokens, corrigir os problemas e chegar em um produto bom o suficiente?"

Não — e não por ser não técnica. Token compra construção, e o que falta depois do "sim" não é construção, é conferência. Isso não está à venda em nenhuma das sete.

O que eu usaria, caso a caso

Opinião, não verdade. Mas escolher é o pedido, então eu escolho.

  • Sistema interno pequeno pro meu time, com login, sem cobrar: Lovable. A tela convence o time no primeiro dia, o banco já vem, e a saída pro repositório existe. Regra de acesso ligada antes do segundo usuário.
  • Testar se alguém quer a ideia, antes de construir: nenhuma das sete. Uma planilha compartilhada e um formulário. Se doze pessoas não preenchem um formulário, não vão abrir um app. A validação vem antes do código, e é de graça.
  • Só a tela, pra mostrar pra um sócio ou investidor: v0. É o que ele faz melhor.
  • Quero ver tudo num lugar só e aceito pagar por uso: Replit — com limite de gasto configurado antes do primeiro pedido, e a regra das duas tentativas na parede.
  • Não quero ver servidor nunca, e o app é meu, não de cliente: Base44. No dia em que tiver dado de cliente, lembre que o eject não leva os dados.
  • Já tenho o código e quero mandar nele: Claude Code ou Cursor. É onde "ser dono" vira literal.

O que eu não faria: trocar de ferramenta no meio por causa de um erro. A tela branca, o login que não protege, a mudança que quebrou outra — aparecem iguais na próxima, porque não são da ferramenta. Trocar custa recomeçar; entender o erro custa uma tarde.

Escolher é o D do ciclo: definir o que vai dentro antes de decidir a caixa. Feito isso, as paredes seguintes — publicar, proteger, cobrar, manter — são as mesmas nas sete. E têm ordem. A ordem não está na tabela de preços de nenhuma.

Fontes